O fotógrafo Herbert Ponting e a expedição Terra Nova   Leave a comment

Em 1911, o fotógrafo britânico Herbert G. Ponting (1870-1935) passou 14 meses na Antártida e produziu um vasto material – ainda hoje, um dos mais ricos sobre a região.

Ponting foi convidado pelo capitão Robert Falcon Scott (1868-1912) para fazer parte da British Antartic Expedition(1910-1913), conhecida como Terra Nova (nome do navio de suprimentos). A expedição tinha objetivos científicos e disputava com a do explorador norueguês Roald Amundsen (1872-1928) um lugar nos livros de história, como a primeira a chegar no Pólo Sul. Amundsen chegou um mês antes da Terra Nova e Falcon Scott morreu na viagem de volta.

Durante a expedição, Ponting produziu em torno de 1.700 fotografias. Além de fotografar paisagens, a vida animal, o dia a dia da tripulação e pesquisadores, Ponting fez dezenas de retratos com um apuro técnico e estético dos grandes retratistas do século XX. Todo esse acervo está depositado no Scott Polar Research Institute, da Inglaterra.

O PROCESSO – No começo do século XX, as técnicas fotográficas avançavam rapidamente e novos processos químicos surgiam. Para registrar a expedição à Antártida, contudo, Ponting escolheu uma técnica ainda da primeira metade do século XIX: o negativo de vidro. Vários motivos fizeram Ponting escolhê-lo para a expedição: familiaridade com o equipamento, preferência estética e técnica – já que os negativos de vidro resultavam em boas cópias fotográficas – ou até mesmo questões comerciais. Estes negativos já eram industrializados e vendidos prontos para o uso a partir de 1878. No Brasil, as placas de vidro foram utilizadas até a década de 1950.

Provavelmente, Ponting utilizou os negativos obtidos em placas de vidro emulsionados com gelatina-prata e mais conhecidos como colódio* seco. Na época e pelo local, a escolha era uma boa solução por não necessitar de processamento imediato, diferentemente do colódio úmido. O professor Boris Kossoy explica bem isso no seu livroDicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro (IMS, 2002): “Com as chapas secas (sendo em geral o bromureto de prata a substância sensível) o fotógrafo de arquitetura e paisagens não necessitava mais carregar consigo tendas, produtos químico, frascos, banheiras e todo o equipamento transportado geralmente em carroças adaptadas como laboratórios da campanha, onde se revelavam as chapas enquanto o colódio se mantinha úmido”. Um bom exemplo é a Foto 11 do post sobre Roger Fenton.

Colódio: Resultado da dissolução de nitrato de celulose em álcool e éter é uma substância transparente, viscosa e muito volátil. Tem como característica a impermeabilidade após curto tempo de utilização, exigindo sempre que seja utilizado enquanto úmido.

por Alexandre Belém

Para ver mais imagens, clique aqui.

fonte: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-imagens/classicos/expedicao-terra-nova/
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