Fotografar, poetafotógrafo, fotografia…   Leave a comment

Difícil fotografar o silêncio.Entretanto tentei. Eu conto:

Madrugada, a minha aldeia estava morta.Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.

Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã.

Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado.

Preparei minha máquina.O silêncio era um carregador?

Estava carregando o bêbado.Fotografei esse carregador.

Tive outras visões naquela madrugada.Preparei minha máquina de novo.

Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado.Fotografei o perfume.

Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.

Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão.

Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre. Foi difícil fotografar o sobre.

Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta.

Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Manoel de Barros

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Publicado 09/01/2012 por Isabella Carnevalle em Não categorizado

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