“Se eu pudesse contar uma história com palavras, não precisaria andar com uma câmera”, Lewis W. Hine   Leave a comment

Sociólogo por formação, o americano Lewis Wickes Hine encontrou na fotografia uma forma de fazer a diferença diante dos piores problemas sociais dos Estados Unidos do início do século XX. Se na época suas imagens ajudaram a criar diversas leis trabalhistas, foi apenas após sua morte que foi reconhecido, também, como um grande fotógrafo.

Já como professor na Escola de Cultura Ética de Nova Iorque,  Hine comprou sua primeira câmera, utilizando as fotografias como uma ferramenta pedagógica. A partir de 1905, adotou a prática como um meio de denunciar a miséria dos imigrandes europeus, expondo à opinião pública suas péssimas condições de trabalho. Na época, grande parte da mão de obra industrial norte-americana era composta por crianças. Seus registros ajudaram na criação e na aprovação da primeira lei nacional de trabalho infantil.

Em 1908, foi chamado para integrar o recém criado Comitê Nacional do Trabalho Infantil, deixando de lecionar para tornar-se detetive. Em um ano, viajou pelo interior do país e cobriu quase 20 mil quilômetros, em condições precárias de acomodação e higiene e sem grandes recompensas monetárias. Por ser ocasionalmente impedido de fazer seu trabalho pelos donos das fábricas, escondia a câmera e disfarçava-se de inspetor de incêndio, fingindo entrevistar as crianças enquanto clicava. Não utilizava artifícios e valorizava os ângulos frontais, já que tinha como principal objetivo capturar a expressão em seus rostos. Para isso, estava sempre no mesmo nível de seus objetos, normalmente centralizados com precisão. Ao se referir às próprias imagens, utilizava “cruas” como adjetivo — e a crítica chegou a dizer, certas vezes, que suas fotos não eram chocantes nem dramáticas o bastante. Este período de trabalho está publicado nos livros Child Labour in the Carolinas (1909) e Day Laborers Before Their Time (1909).

Antes disso, publicou Charities and the Commons (1908), que retratava a mão de obra abusiva utilizada nas construções de prédios. Provavelmente por conta desse trabalho foi chamado para documentar a construção do Empire State Building, já no início dos anos 1930. Muitas de suas mais famosas imagens estão nessa série, publicada em um livro intitulado Men at Work (1932).

Sua obra é considerada, hoje, um dos pilares da fotografia documental. Como explica o professor Paulo César Boni em projeto sobre a trajetória do fotodocumentarismo para a Universidade Estadual de Londrina, suas imagens transcendem o fotojornalismo: a foto tirada não era a reportagem em si, nem o fim do trabalho, era um meio para expor à opinião pública aquela realidade que não se vê.

Com dificuldade para ganhar dinheiro como fotógrafo, perdeu sua casa em janeiro de 1940 e morreu extremamente pobre 11 meses depois.

Fonte: ESPM – http://foto.espm.br/index.php/referencias/se-eu-pudesse-contar-uma-historia-com-palavras-nao-precisaria-andar-com-uma-camera-lewis-w-hine/
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