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Tela da mostra virtual Feminino pelo Feminino, de Isabella Carnevalle

O Feminino pelo Feminino, mostra virtual 3D de Isabella Carnevalle

 por Celso Bessa

Entre 1998 e 2008, a fotógrafa Isabella Carnevalle fez diversos autorretratos usando câmera de orifício (pinhole). As fotografias deram origem a uma exposição/instalação no Centro Cultural Érico Veríssimo, em Porto Alegre (RS) em 2008, que agora ganha uma versão digital na mostra virtual Feminino pelo Feminino. Saiba mais.

A escolha em 1998 por um dos princípios mais rudimentares da fotografia se mostrou acertada para lidar a busca pela compreensão do feminino que permeia os trabalhos de Isabella Carnevalle. Dada a natureza das pinholes tradicionais, que não permitem que o fotógrafo veja a imagem ao fazer o registro, pode-se imaginar o quanto os autorretratos da fotógrafa exigiram que ela aprendesse sobre si e seu espaço no mundo, atentando para sua postura, seu corpo, suas emoções e sua relação com o que estava à sua volta.

Podemos dizer que para a autora inserir o feminino na pinhole, foi necessário extrair o feminino em Isabella. Uma jornada de auto-conhecimento que podemos acompanhar claramente em suas fotografias.

Múltiplos, primeiro movimento. Foto mais antiga da exposição Feminino Pelo Feminino

Múltiplos – primeiro movimento. Foto mais antiga da exposição Feminino pelo Feminino

Inicialmente inspirada em textos de Clarice Lispector, Feminino pelo Feminino começa com Múltiplos – terceiro movimento, em 1998, mostrando diversas Isabellas e continua por 4 séries de fotografias melancólicas, onde a retratada se funde ora à luz, ora à sombras, sem que posamos vê-la claramente. E se encerra, não por acaso, com um retrato muito mais sucinto e “formal”, Sem Título, em 2008, com Isabella olhando, com uma certa serenidade, por uma janela. Serviu para marcar a conquista daquele ciclo, e também, quase como vaticínio, mostrar as novas direções que a autora e sua fotografia tomariam.

Ainda que jamais seja a mesma experiência que ver as belas fotografias ao vivo em uma instalação, a escolha por fazer de Feminino pelo Feminino uma mostra virtual na internet se mostra mais um acerto da fotógrafa. Mais que uma representação digital do que foi a instalação de 2008, é eco do momento que vivemos, quando o femininismo e o feminimo ganham mais alcance e força em uma sociedade cada vez mais interconectada, e transformando a jornada de individual Isabella em uma jornada coletiva.

Sem Título, o autorretrato de Isabella Carnevalle mais recente na mostra Feminino pelo Feminino

Sem título, autorretrato de Isabella Carnevalle mais recente na mostra Feminino eplo Feminino

Ao visitar o espaço 3D da exposição — especialmente em tela cheia, à meia luz e ouvindo Nina Simone — não são apenas os retratos de Isabella que vemos, é a “caixa preta” do feminino que se apresenta para nós.

Serviço – Feminino pelo Feminino, de Isabella Carnevalle

  • Mostra virtual no site www.isabellacarnevalle.com.br
  • Exige o uso do plugin Unity Player no navegador
  • Fotografias: Isabella Carnevalle
  • Curadoria: Neide Jallageas
  • Textos: Marcelo Gobatto e Neide Jallageas
  • Design e Desenvolvimento: Roger Machado
Publicação em 25/02/2015 no site Jornal da Fotografia, autoria de Celso Bessa – https://www.jornaldafotografia.com.br/dicas/o-feminino-pelo-feminino-mostra-virtual-3d-de-isabella-carnevalle/

 


Fotografia alternativa: do jeito que se fazia antigamente

Foto: Sirlei Platcheck

Fabio Giorgi: cura para a “febre digital” (foto: Sirlei Platcheck)

Apesar das dificuldades, técnicas “vintage” ainda são praticadas por alguns abnegados e apaixonados pelas possibilidades criativas da manufatura de imagens. Pessoas que preferem manipular químicos e negativos e gastar algumas horas fazendo viragens e emulsionando placas fotossensíveis a simplesmente apontar e atirar. Pinhole, cianótipo, marrom van dyck, albumina, goma bicromatada são algumas das técnicas sob o arco da fotografia artesanal, ou alternativa, como a chamam. Todas tão velhas quanto o penúltimo século.

O advogado aposentado Fabio Giorgi, 56, faz parte dessa pequena estatística de praticantes. Seus interesses são a cianotipia, pelas possibilidades de aplicação de técnicas mistas, o papel salgado e a combinação de fotogramas e lumen prints. “Não são técnicas complicadas e nem exigem o uso de qualquer tipo de equipamento ou local especial. Basta um quarto escuro para sensibilizar os papéis, luz do sol para as exposições e água corrente”, enumera.

Fabio é carioca, mas vive em Porto Alegre (RS). Ele ingressou nesse universo de reagentes químicos por acaso: “Estava sofrendo de ‘febre digital’ e procurando na internet alguns filtros para agregar ao meu programa de edição de imagens”, conta. “Daí, aquela coisa de seguir links, eu acabei parando no site do fotógrafo dinamarquês Emil Schildt. Fotografias fantásticas. Todas feitas com algum processo alternativo. Continuei a pesquisar e fui descobrindo outros fotógrafos, comunidades, sites repletos de fórmulas e, principalmente, comecei a estudar a história da fotografia”, continua.

Foto: Isabella Carnevalle
Templo de Diana, Cianotipia (foto: Isabella Carnevalle)

Segundo acredita, a internet é o melhor caminho: “Existem vários sites muito bons sobre o assunto. Participar de grupos que se dedicam à fotografia alternativa para tirar dúvidas também ajuda, porém é fundamental estudar e experimentar, muito. Esporadicamente, alguém oferece algum curso ou oficina, mas isso não é um trabalho continuado”, observa Fabio, que criou ele próprio um site para dar a sua contribuição.

Entre os que preferem fazer isso por meio de cursos, está Isabella Carnevalle. Gaúcha, 43 anos, seu contato se deu em 1998, em São Paulo, quando fez cursos sobre cianotipia e câmeras de orifício (pinhole) – “que influenciam até hoje as minhas opções”.

Em 2003, de volta a Porto Alegre, Isabella passou a ministrar oficinas sobre blueprint (cianotipia), composição e pinhole. Paralelamente, desenvolve alguns documentários e projetos artísticos, envolvendo cianótipos e câmeras de orifício.

“Era muito engraçado lá em São Paulo. Eu usava o laboratório da Neide [Jallageas] e do Paulo [Angerami, ambos professores do curso de pinhole que Isabella fez] para revelar e ampliar as imagens feitas com a câmera de orifício. A estrutura base já existia, mas tinha-se de preparar químicos, bandejas, coisas assim. Na época, eu ‘frilava’ e meu sustento era disso. Então, às vezes eu tinha acabado de montar tudo e tinha de desmontar rapidamente, pois tinha surgido um frila. Isso foi bem na época que eu trabalhava para o Valor Econômico”, lembra.

Isabella também fez algumas experiências com laboratório PB. Experiências divertidas, mas frustrantes: “Eu sou bastante detalhista e rigorosa e ficava buscando os mínimos detalhes de diferença nas exposições. Isso fazia com que eu sofresse horrores quando ia trabalhar no laboratório. Foi daí que pensei em romantizar o clima. Um dia, levei um vinho, selecionei uma estação de rádio que eu adorava, me servi de vinho e comecei a trabalhar. Ingenuamente, eu esperava ‘levitar e fazer grandes descobertas sem sofrimento’, mas nada feito! Continuo sofrendo e não gostando de laboratório, apesar de achá-lo um universo rico em possibilidades até hoje”.

Foto: Fabio Giorgi
Imagem obtida por meio de papel salgado (foto: Fabio Giorgi)

Em suas oficinas, Isabella encontra pessoas de diferentes faixas-etárias. Também já ministrou para crianças. Para ela, é difícil avaliar o grau de interesse que a fotografia alternativa encontra atualmente. Talvez tenha aumentado, considera, devido ao interesse que há pela lomografia, que lida com câmeras rudimentares e filmes. “O que saberia te dizer é que todos, sem exceção, ficam encantados com o processo artesanal. O fazer através das próprias mãos, e os resultados que conseguem através dessas vivências”, ressalta, citando o depoimento de uma aluna de apenas dez anos: “I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL (dito assim mesmo, com pausa e letras garrafais)”.

Foto: Fabio Giorgi
Cianótipo (foto: Fabio Giorgi)

Fabio Giorgi vê o universo de praticantes extremamente reduzido. Volta e meia alguma iniciativa organizada surge, mas não obtém sequência, observa. Ele arrisca uma explicação: “O Brasil tem excelentes fotógrafos, mas nenhuma tradição de laboratório e a fotografia alternativa é basicamente um trabalho de laboratório. Além disso, por conta da facilidade que hoje existe em se fotografar e da pressa em se ver o resultado, muitos não têm a paciência para estudar um processo histórico e testá-lo até acertar. Tome como exemplo a cianotipia, que é um dos processos de impressão fotográfica mais fáceis de fazer e normalmente a porta de entrada para quem quer conhecer um pouco mais. O tempo total para se fazer uma boa impressão, entre a confecção do negativo, corte e sensibilização do papel, secagem, exposição, revelação e secagem final, é de  mais ou menos 60 minutos. E esse tempo só aumenta quando passamos ao processos mais sofisticados”.

O carioca destaca ainda a questão dos químicos. A maioria é de difícil aquisição, seja pelo preço, seja porque sair por aí comprando certo tipo de química deixa algumas pessoas ressabiadas. “A primeira vez que fui comprar os reagentes para fazer uma cianotipia, o vendedor me crivou de perguntas e só se convenceu quando mostrei um printscreen de uma ciano com a descrição do processo e os reagentes necessários. Outra coisa que dificulta um pouco é o controle exercido pela Polícia Federal e o Exército sobre alguns produtos. A primeira resposta do vendedor é dizer que só com autorização, mas isso não é verdade. A autorização só é necessária para quem faz compras regulares de grandes volumes. A própria legislação de controle permite a compra eventual de pequenas quantidades. Então, cada vez que tenho que comprar alguma coisa, levo uma cópia das leis, portarias etc.”

Foto: Isabella Carnevalle
Isabella: “Todos ficam encantados
com o processo” (foto: autorretrato)

Para quem pratica a fotografia artesanal, a compreensão do processo fotográfico e as possibilidades artísticas compensam as dificuldades. “As reações químicas, a mecânica do papel, a qualidade da luz, tudo isso tem que ser compreendido para se ter sucesso. É bem diferente da ‘caixa preta’ de um software, onde a única coisa que faço é apertar o botão do mouse e deixar que algum algoritmo faça o trabalho enquanto eu fico olhando a tela do monitor para saber se gostei ou não e, eventualmente, recomeçar até ficar satisfeito”, compara Fabio. “Cada cópia é única em função da luz do dia na qual foi feita, da forma como a emulsão foi espalhada sobre o papel, dependendo do processo escolhido, do grau de umidade do ar. Todas essas variáveis, algumas totalmente incontroláveis, emprestam à prática da fotografia alternativa um que de mistério artesanal que não se encontra no digital”, ele defende, embora utilize as duas formas de captura fotográfica em suas séries de impressão fineart, as quais comercializa.

“Não há conflito entre as duas formas. Elas se complementam. A fotografia digital não é uma nova forma de fotografar. É mais uma ferramenta que tenho ao meu dispor para mostrar a minha visão do mundo. Uma ferramenta bastante poderosa a ponto de ser utilizada para me ajudar com a fotografia alternativa. Quando se trata de fazer uma cópia positiva usando algum processo de impressão alternativo, os negativos que uso são criados a partir de fotografias feitas com equipamento digital. Não há conflito entre as tecnologias e sim, cooperação”.

Publicação em 26/09/2012 no site iphotochannel, autoria de Alcides Mafra – http://iphotochannel.com.br/fotografia-alternativa/fotografia-alternativa-do-jeito-que-se-fazia-antigamente

 


Isabella Carnevalle ministra oficina de Cianotipia

Em 1842, o astrônomo inglês Sir John Herschel criou um processo para a obtenção de imagens baseado em sais de ferro — e não em sais de prata, tão intimamente associados à fotografia. Sua descoberta consistia no fato de que, quando expostos à luz, sais de ferro são submetidos à redução química para o estado ferroso. Ao serem combinados com outros sais neste estado, podem criar imagens por foto-contato. Batizada de Cianotipia, e também muito conhecida como Cianótipo, ela tem na escala de azul sua maior característica visual — daí o nome: do grego, cyanos, azul escuro.

Sir. John Herschel.

A artista plástica Isabella Carnevalle explica que no século 19, as primeiras descobertas fotográficas se referiam apenas  à captação da imagem. Para fixá-la, fazê-la durar, a Cianotipia foi um dos primeiros experimentos. “Na época, ela não foi muito popular, ficando atrás do Daguerreótipo, que era muito mais químico”, conta. Ainda assim, o primeiro livro de fotografias que se tem conhecimento foi publicado através do recém descoberto processo em 1843. A obra, intitulada Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, foi feita pela botânica inglesa Anna Atkins, que colocou plantas sobre folhas de papel emulsionadas e depois as expôs à luz.

Por Gisele Becker.

Fotógrafa e artista visual, Isabella conta que vivencia a fotografia como arte, documentário e jornalismo desde 1997. Seu portfólio inclui trabalhos bem diferentes dentro do gênero. Apenas para citar um exemplo, como fotojornalista, recebeu o segundo lugar no concurso Internacional The American Photo and Nikon 2000 Photo Contest e publicou em veículos como a National Geographic e a Folha de São Paulo. Hoje, além dos trabalhos institucionais e editorias que desenvolve, é responsável pela oficina de fotografia Olhar Construído, criada por ela em 2004. Isabella atua como facilitadora e estimula os participantes a também usarem a imagem como forma de expressão.

Por Lilia Messias.

Uma dessas oficinas, a BluePrint, trata justamente de Cianotipia. Como nos outros cursos, a artista divide com os participantes o conhecimento que adquiriu em suas diferentes vivências no campo da fotografia, e destaca sua identificação com as técnicas do século 19. Primeiro, fez captação de imagens usando câmeras Pin Hole; agora, usa uma técnica de impressão particular da época, o Cianótipo. “No trabalho artesanal, tu realmente participas do projeto, tem condições de intervir, de realizar, não fica preso em um tipo de equipamento. A Cianotipia, por ser lenta, permite muito isso”, opina. Isabella enfatiza que os participantes interferem diretamente nos resultados de cada etapa, “como todo o processo está desvencilhado de exatidões tecnológicas, possibilita experiências no tempo sutil das percepções”. Outro aspecto da técnica que agrada Isabella é o seu lado ecologicamente correto: os químicos não são tóxicos. Para participar, não é necessário saber fotografar. Os suportes e produtos químicos são fornecidos pela Isabella e a oficina é realizada ao ar livre, no pátio de seu ateliê.

Por Alice Viana.

Por Thiago Kirst.

A oficina Blueprint será realizada nos dias 17 e 18 de março. Mais informações podem ser conferidas no site ou direto com a Isabella: isabellacarnevalle@gmail.com.

Publicação de 15 /03/2012 no site do Centro de fotografia ESPM – http://foto.espm.br/index.php/noticias/isabella-carnevalle-ministra-oficina-de-cianotipia/

 


 

Entrevista concedida a Band TV RS sobre fotografia Analógica e Impressões do século XIX. Foi ao ar na Band Cidade em 03/02/2012 e foram entrevistados Adalberto Porto Alegre, Gustavo Razzera e Isabella Carnevalle.

publicado em 13/05/2013 por Isabella Carnevalle

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