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Uma reflexão interessante sobre a leitura de imagens…

…”Em 1993, a cineasta belga Agnès Vardas dirigiu para um canal de televisão francês uma série de vinhetas diárias chamada “Um minuto para uma imagem”, com o apoio de Robert Delpire, então diretor do Centre National de la Photographie (CNP). Em cada uma delas, alguém (um convidado ou a própria diretora) comenta uma fotografia escolhida. A imagem e o texto eram também publicados no jornal francês Libération, no dia seguinte à sua exibição na TV.”

por Ronaldo Entler

Vale a pena ler o texto completo do Ronaldo Entler, é só clicar abaixo na Fonte.
 Fonte: http://www.iconica.com.br/?p=2169
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O filme Criação, Darwin e a fotografia   Leave a comment

Assisti ao filme Criação – Creation – e gostei um monte.

Um dos motivos é que ele nos situa nos pensamentos e conflitos na época em que Darwin refletia sobre nossa origem.

O outro motivo, não menos importante, e ainda por cima “mágico”, é que já nas cenas iniciais Criação nos remete aos retratos feitos com daguerreotipos. Adoro quando de alguma forma vivencio fatos na história do tempo…

E pegando o “gancho”, tem um texto do Ronaldo Entler sobre o filme, em que ele faz links interessantes sobre a fotografia e Darwin.

Sugiro os dois, vejam o filme e leiam o texto; ou leiam o texto e vejam o filme. Aqui a ordem dos produtos não altera o resultado.

Bom Mergulho!

Darwin e a fotografia

“Neste fim de semana, assisti ao filme “Creation” (2009), recorte da biografia de Charles Darwin centrado nas dificuldades que enfrentou quando finalizava A origem das espécies (1859). Vemos ali um personagem debilitado por uma doença desconhecida, atormentado pela morte de uma filha, e em conflito com os valores cristãos de sua comunidade e de sua família.

Numa das primeiras cenas, sua filha Annie está num estúdio se preparando para ser fotografada. Darwin lhe explica como funciona a técnica. Enquanto o fotógrafo tenta fotografar a menina, ela parece mais interessada nas aventuras que seu pai lhe conta.

Imagino que a fotografia apareça ali como emblema das inovações técnicas que, ao lado da teoria de Darwin, impactaram o século XIX (ainda que, para a pequena Annie, essa novidade esteja ofuscada pelas histórias fantásticas que seu pai lhe conta).

Especulações à parte, a fotografia teve uma presença importante numa pesquisa posterior de Darwin, que resultou em A expressão das emoções no homem e nos animais (1872). Encontrei uma versão digitalizada da primeira edição desse livro, e vi que ele traz um número razoável de referências a trabalhos fotográficos, sobretudo feitos por cientistas. Podemos ler já nos agradecimentos:

Fotos cedidas por Herr Kindermann para "A expressão das emoções".

“Eu tenho o prazer de expressar meus agradecimentos ao Sr. Rejlander pela disposição de fotografar para mim várias expressões e gestos. Agradeço também ao Sr. Kindermann, de Hamburgo, pela cessão de alguns excelentes negativos de crianças chorando, e ao Dr. Wallich, por um outro encantador, de uma menina sorridente. Já expressei meu agradecimentos ao Dr. Duchenne, que generosamente me permitiu ter algumas de suas grandes fotografias reproduzidas e reduzidas. Todas estas fotografias foram impressas pelo processo da Heliotipia, que garante a precisão das reproduções.”

Imagem cedida por Duchenne de Bologne.

O livro traz longos comentários sobre a pesquisa de Duchenne de Boulogne, que hoje nos parece um tanto lunático e perverso, dando choques no rosto de pacientes da Salpêtrière, diante da camera de Adrien Tournachon, irmão de Nadar. Mas Darwin mesmo explica a importância desse trabalho na compreensão do funcionamento dos músculos faciais.

Oscar G. Rejlander, Autorretrato.

Também foi uma surpresa ver que nas referidas imagens de autoria de Oscar Gustave Rejlander, o próprio fotógrafo aparece encenando as “emoções”, provavelmente, pautado diretamente por Darwin.

Darwin, por Julia M. Cameron, 1868.

Conhecemos o belo retrato de Darwin feito por Julia Margaret Cameron, e encontramos registros de duas cartas trocadas com Lewis Carroll, em que agradece o envio de fotografias, provavelmente para a pesquisa sobre as “Expressões”. Darwin, como outros cientistas e intelectuais, certamente mantinha boas relações com esses fotógrafos e artistas da Era Vitoriana.

Para encerrar, uma curiosidade, mesmo que não explique muito sobre a relação de Darwin com a fotografia: vi que a mãe de Darwin se chamava Susannah Wedgwood. Não foi difícil verificar que se trata da irmã de Thomas Wedgwood, pioneiro nas pesquisas que antecedem a descoberta da fotografia no século XIX, autor do artigo “Descrição para de um método para copiar pinturas sobre cristal e para criar perfis por meio da luz sobre nitrato de prata” (1802).

Aproveitei o entusiasmo para comprar um livro que encontrei na Amazon: Darwin’s Camera: Art and Photography in the Theory of Evolution, que deve demorar algumas semanas para chegar. Se houver grandes novidades, complementarei o post.

Infelizmente, o fime Creation teve uma passagem efêmera pelas salas de cinema brasileiras, em março deste ano.

Texto e seleção de imagens de Ronaldo Entler, em 17/10/2010

Fonte: http://www.iconica.com.br/category_name=historia-da-fotografia

Um pouco mais de Thomaz Farkas…   Leave a comment

Aqui vai um vídeo feito pelo próprio Farkas. Quando o vi, foi como mais uma oportunidade de conhecer este ser humano bastante particular, que entre tantas coisas, foi fotógrafo… E ainda curti o Pixinguinha, outro que merece nossa reverência… Compartilho com vocês, boa curtição!

 

E em 31 de março, a Simonetta Persichetti publicou no jornal Estado de São Paulo – Cultura

O legado de Farkas

A mostra ‘Uma Antologia Pessoal’ reafirma a importância do fotógrafo que morreu dia 25

A exposição Thomaz Farkas: Uma Antologia Pessoal, em cartaz no Instituto Moreira Salles, prorrogada até o dia 1.º de maio, reúne 40 anos de fotografia desse fotógrafo, cineasta, empresário e incentivador da arte brasileira que se foi na sexta-feira, dia 25 de março. Perde a fotografia, perde o cinema, perdem as artes de forma geral.

foto de Thomaz Farkas

Thomaz Farkas marcou sua vida como grande incentivador do Brasil, dos brasileiros. Parte dessa sua ideia pode ser vista nesta mostra, com cem imagens, muitas inéditas, que foi trabalhada durante dois anos por seus filhos João e Kiko Farkas, e pelo conjunto de pesquisadores e curadores do Instituto Moreira Salles.

Farkas nasceu na Hungria em 1924, aos 6 anos veio para o Brasil, onde seu pai tornou-se um dos sócios-fundadores da Fotóptica. Dois anos depois, aos 8, Thomaz ganhou sua primeira câmera e durante os seguintes muitos anos, fotografou tudo o que via pela frente. Hábito que, na verdade, guardou até poucos dias antes de ser internado, depois do carnaval, no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo.Na exposição podem ser vistas imagens que ele produziu a partir da década de 1940, quando se inscreveu no Foto Cine Clube Bandeirantes e se revelou – ao lado de fotógrafos como Geraldo de Barros, German Lorca, Marcel Giró – um dos expoentes da fotografia moderna brasileira. Uma fotografia que busca referências nas vanguardas europeias e norte-americanas e apresenta novas formas de olhar e construir a imagem.

Não uma composição naïf – seguidora do pictorialismo ingênuo das naturezas-mortas e das marinhas – mas uma imagem viva, pujante, que segue a modernização das cidades. Uma construção geométrica criada nas luzes, nas sombras, nos cortes inovadores e pontos de vista inusitados. Uma imagem que não acalma, mas desafia o olhar.

Também nesta exposição estão reunidos trabalhos posteriores, com uma abordagem mais humanista, quando Thomaz procurou se aproximar do documental, fotografando, por exemplo, o Rio de Janeiro e sua vida nas praias, os moradores de bairros populares e a inauguração de Brasília.

Os amigos. Ironicamente, durante anos ele escondeu esse seu lado fotógrafo que somente se tornou mais conhecido a partir de 1996, quando ele publicou pela DBA, seu livro Thomaz Farkas, Fotógrafo, uma iniciativa de sua colaboradora e curadora Rosely Nakagawa. A parti daí, o baú abriu-se e as fotografias de Thomaz Farkas começaram a brotar, narrando a história do Brasil, a construção de Brasília, uma expedição pelo Rio Amazonas, com seu amigo o poeta e biólogo Paulo Vanzolini, a cidade de São Paulo, os amigos, os cães: Filé, seu grande companheiro, vira-lata caiçara de Paraty e, ultimamente, a Chica, uma beagle que o seguia feito uma sombra. Tudo era motivo para uma foto.

Mas Thomaz Farkas não se contentou com isso. Queria mais. Queria trazer à tona o olhar dos inúmeros fotógrafos brasileiros que nas décadas de 1970 e 1980 criaram a excelência da fotografia brasileira. Abriu a Galeria Fotóptica e por ela passou quase que a maioria dos fotógrafos que hoje – cheios de sucesso – estão nas páginas, revistas e mostras da cidade: nomes como Claudio Edinger, Cassio Vasconcellos e até mesmo Sebastião Salgado. Fundamental também foi a revista Fotóptica, que imortalizou as mostras e a fotografia brasileira. Uma revista que marcou época quando a fotografia ainda não invadia de forma tão contundente o mercado da arte brasileira.

Thomaz Farkas sempre esteve presente aos festivais de fotografia. Sempre se levantava e pedia um viva para a fotografia brasileira. Quase um grito de guerra que se calou no último fim de semana. Mas a obra de Thomaz é imortal. Ele deixa um legado de discípulos que com ele aprenderam a contar histórias. Quando morreu o fotógrafo também húngaro André Kertész, em 1985, Cartier-Bresson afirmou: “Todos devemos algo a Kertész”. Hoje, os fotógrafos brasileiros sabem que devem alguma coisa a Thomaz Farkas.

QUEM É
THOMAZ FARKAS
FOTÓGRAFO

Nascido na Hungria em 1924, ele atuou também como professor, produtor e diretor de cinema. Integrou o lendário Cine Clube Bandeirantes e fundou a pioneira revista Fotóptica.

THOMAZ FARKAS: UMA ANTOLOGIA PESSOAL
Instituto Moreira Salles
Rua Piauí, 844, tel. 3825-2560. Higienópolis.
De 3ª a 6ª, 13h/19h. Sáb. e dom., 13h/18h. Até 1º/5

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-legado-de-farkas,699590,0.htm

Talvez o mais antigo filme preservado…   1 comment

Esta produção dos Irmãos Mile, A trip down Market Street,  nos mostra a cidade de São Francisco poucos dias antes do grande terremoto de 1906. São quase 14 minutos de mergulho no tempo que vale a pena fazer, mesmo com os momentos truncados de rolamento… Sempre na Market Street, segue da rua 8 até o Ferry building, terminal de passageiros da Baía de São Francisco que continua de pé.

Também vale dizer que a busca para precisar a data deste material é tão rica quanto tudo o que ele contém… No link http://www.sfgate.com/cgi-bin/blogs/stew/detail?entry_id=62237 vocês acessam o post do blog SFGate, que explica um pouco da história do filme, e como o estudioso de cinema David Kiehn descobriu que ele era de fato produzido em 1906, e não 1905.

A dica do filme eu recebi da Carla Regina Volkart, e para entender melhor a polêmica da data, cheguei no material que compartilho…

Bom mergulho!

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